coloquei a toalha de linho sobre a mesa. queres escutar o que escrevi?
amadureceram por dentro todas as estações. diz-me que sabes.
terça-feira
segunda-feira

As mãos dormem sentadas
ao relento da casa.
os dedos cansados recolhem escombros
luz nocturna
ao relento das árvores.
não adormeças esta noite.
A lua transpira tranquilidade.
mães esperando o seu rebento
de olhos em pranto
como se todas as coisas fossem criação
quando alguém chora.
mãos suspiram
reconstroem gestos
e o fogo surge
emergente.
não adormeças esta noite.
Quando no silêncio da árvores
a mãe chora
a intimidade das raízes em sufoco
surge poética
sentada
nos recantos da casa.
Fotografia de Lilya Corneli.

São poucas as vezes
em que as luzes se vêem acesas.
Tudo parece estar morto.
Nas mãos abertas
dorme a divindade de uma flor. frágil
contorna o gesto de uma boca indizível
e as palavras demoradas
respiram o espanto aos poetas.
Os campos devolvem aos olhos
a frescura das paisagens
para que a frescura dos olhos
devolva as paisagens
aos campos.
Os campos serão sempre frescos
enquanto existirem olhos.
Ao olhar a paisagem
fixo-a
para que nunca a possa esquecer.
Tudo parece estar morto.
As vozes que cantam
quando por dentro as procuro e não as encontro
tentam acender as luzes.
Distantes. as palavras
em segredo
pousadas na pequenez das coisas simples
escutam o espanto dos poetas.
O gesto da flor
na divindade da boca
devolve aos olhos a paisagem dos campos.
encanto de dois lábios
no perfil da casa.
Fotografia de Ewa Brzoznska.
segunda-feira
quarta-feira
terça-feira
é noite na escuridão do céu. ouço o apelo da noite como se uma invocação ao meu corpo gerasse o pânico ao pensar as minhas mãos. em ti, é já noite, na escuridão do teu corpo?
na alegria breve dos meus olhos recebo os braços teus em nome da terra.
na tua face - as estrelas. escrevo. abro as janelas para a noite. escrevo mais ainda. é rápida a sombra. essa sombra que condeno ao absurdo que é ser morte e esquecimento.
na alegria breve dos meus olhos recebo os braços teus em nome da terra.
na tua face - as estrelas. escrevo. abro as janelas para a noite. escrevo mais ainda. é rápida a sombra. essa sombra que condeno ao absurdo que é ser morte e esquecimento.
Dedicado a Vergílio Ferreira, para sempre
terça-feira
domingo
não basta morrer para ser flor.
não basta morrer para conhecer deus e acreditar no beijo, não nos chega apenas amar a terra excessiva, ser arrastada pela paisagem que os meus seios denunciam.
o que resta depois de uma mentira lógica de palavras?
explica-me a lógica das palavras.
mostra-me a raiz da flor.
não basta morrer para conhecer deus e acreditar no beijo, não nos chega apenas amar a terra excessiva, ser arrastada pela paisagem que os meus seios denunciam.
o que resta depois de uma mentira lógica de palavras?
explica-me a lógica das palavras.
mostra-me a raiz da flor.
segunda-feira
quinta-feira
quarta-feira
a lua
tecida à boca da noite
ao ouvido do homem mudo:
beija-lhe os lábios.
o homem sente
aves nos ombros, braços
em nudez nos seios arredondados
de mamilos frescos na terra.
sementes cantam na palma da mão
rosas musguentas
sexos feridos
ânsias de um outro beijo.
a lua tecida à boca do homem,
ao ouvido da noite muda:
segreda um olhar e dos lábios
soam aves.
tecida à boca da noite
ao ouvido do homem mudo:
beija-lhe os lábios.
o homem sente
aves nos ombros, braços
em nudez nos seios arredondados
de mamilos frescos na terra.
sementes cantam na palma da mão
rosas musguentas
sexos feridos
ânsias de um outro beijo.
a lua tecida à boca do homem,
ao ouvido da noite muda:
segreda um olhar e dos lábios
soam aves.
o marinheiro todos os dias chorava antes de partir para o mar.
o marinheiro não tinha família, por isso, chorava antes de partir para o mar.
o barco do marinheiro tinha o nome de lágrima.
o marinheiro não entendia quando os outros marinheiros falavam da tristeza.
tristeza, diziam, é ver o sol depois da praia.
tristeza é partir só e regressar só.
tristeza, dizia o marinheiro:
é perder a lágrima.
Fotografia retirada retirada da net.
o marinheiro não tinha família, por isso, chorava antes de partir para o mar.
o barco do marinheiro tinha o nome de lágrima.
o marinheiro não entendia quando os outros marinheiros falavam da tristeza.
tristeza, diziam, é ver o sol depois da praia.
tristeza é partir só e regressar só.
tristeza, dizia o marinheiro:
é perder a lágrima.
Fotografia retirada retirada da net.
Sós...
ele precisa de estar só. ela precisa de estar só.
nada mais. para poderem apreciar a companhia um do outro.
para poderem estar. para poderem ficar.
mais um bocadinho. sós.
nada mais. para poderem apreciar a companhia um do outro.
para poderem estar. para poderem ficar.
mais um bocadinho. sós.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


