sexta-feira














quase outono nos teus lábios.
o teu rosto foi esquecido como se esquece um morto.
as luas e as margaridas choram a paisagem.
o tempo reconhece os filhos e sacode a pálpebra húmida.
a claridade avista os navios
e tu agitas os braços junto ao mar.

o teu rosto foi esquecido como se esquece um desconhecido,
nos teus lábios é quase Outono e as Luas e as Margaridas choram o tempo.
a paisagem reconhece os filhos e agita os braços,
junto ao mar o teu riso de poeta.
a claridade avista os navios e tu sacodes a pálpebra ainda húmida.

o silêncio constrói um império nos meus olhos.
as nossas bocas prometem calar-se como se viúvas fossem
à espera de um mundo interior onde as mãos no papel pintassem um quadro
e fossem duas
eternamente
é Outono
para lá morar.

Fotografia retirada da net.

1 comentário:

liliana_lourenco disse...

'Engraçada' a forma como começa e a forma como termina.

Hoje decidi ler coisas tuas mais antigas, já que de ti, só conheço coisas mais recentes.

Vou lendo um pouquinho por dia. Sempre que tiver tempo. :)

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