
do amor sei as mães que cantam as coisas
mortas, a traqueia que desce a fechar-se vazia
a parte ardida. o fundo, uma gaveta e eu. e eu
a pensar o contorno do óleo no escuro
dos dedos. diz-me, sabes a rosa que transpira? lembro-a
quando ainda fechamos os olhos, os fingimos morrer para
depois nos amarmos muito. do amor, eu ouço portas
a gritar a espessura da noite, a madeira frágil
a encher a casa. um plátano de seda
a repetir-se na sombra.