sexta-feira

existia um fogão e a suportá-lo era uma pedra
de mármore, quase sempre bem limpa. mesmo
por baixo havia um lugar pequenino e escuro com
duas portas desalinhadas, difíceis de fechar. era ali
que estava a caixa, guardada, religiosamente, a caixa
de bolachas: as campechanas que a avó aurora nos ofereceu
naquele natal não recordo agora o ano
ao certo. lembro-me que não sorri quando
fui receber os tios à porta, nem à prima lúcia que
com a boca ainda lambuzada de iogurte e açúcar perguntava
à mãe se a deixava ir brincar
um bocadinho. eu queria que viesses
depressa e convencesses o cão a não ladrar
de cada vez que eu passava com os meus
brinquedos em frente do tanque da tua
mãe. ao certo, só havia a parede e o estendal
as molas enfraquecidas pela chuva e eu gostava
do frio das tuas mãos.

35 comentários:

menina tóxica disse...

na minha infância havia um tanque com um cão a ladrar ao pé.
agora deixaste-me mais lamechas do que já sou.

bjinho tóxico*

Ana disse...

Bolas! Tão bonito o que escreves!

Vou passar a vir aqui! Tanta coisa boa por esses blogs fora e eu sem conhecer!

David disse...

eu também já morei numa dessas casas antigas em que o fogão fica demasiado alto por estar em cima de uma pedra de mármore. tinha que subir os braços até a altura dos ombros quando estava a cozinhar e sentia-me sempre como se estivesse a manipular marionetas :) foi há dez mil anos atrás no bairro dos actores, numa cidade feita de luz...

beijinhos

inBluesY disse...

recordarei sempre certa despensa e seu cheiro, ainda hoje parece que existe, cheiro de pão.

gabriela r martins disse...

a doçura e abeleza transformadas em recordações

e a tua força está precisamente

ali

bem hajas ,princesa Aïda!


um beijo

ninguém disse...

(as sobrancelhas arqueadas, os olhos muito abertos e a cabeça a abanar ligeiramente como quem não acredita, não é possível algo tão simples e tão belo)

abraço

sophiarui disse...

sim!tão bom o frio das mãos!

:)
que escutemos sempre o segredo...
abraço bom aida

Flávia Vida disse...

recordar é viver ...
e ler algumas recordações é realmente PERMANECER EM VIDA ... ainda mais quando elas estão sob a forma de palavras que combinam tão bem, mas tão bem, umas às outras ...

[lindo]

beijinhos encantados
:)

Graça Pires disse...

A memória. A infância. A inocência.
Belo poema. Um beijo.

bruno .b.c disse...

lindíssimo, aida. (muito,
muito). do início ao fim.
cosido com pontos-menina
em cada respiração, ternos,
a apertar um pouquinho só
por causo do frio. e no fim
o frio quentinho..
(isto aqui é mesmo bom)
um beijinho.

ana c. disse...

tu escreves muito bem.
às vezes, venho aqui ler-te e nem tenho coragem de repetir-me.

beijinho

un dress disse...

...e eu deste quotidiano de palavras belas com cheiro veRde

Mateso disse...

Quando o tempo desce em nós, as memórias fazem-nos voar aos espaços do ontem ainda com cheiro.
Uma recordação... uma sensação...
Um fluir...
Bj.

Mateso disse...

Ah, obrigada pela vbisita lá no meu azul.És sempre bemvinda.

Bj.

Ana disse...

Por vezes é complicado dizer o que nos faz gostar de algo. No caso das palavras da aida monteiro n~~ao me é dificil dar uma razão para gostar. Gosto do qe escreves, aida, por isto:

"ao certo, só havia a parede e o estendal
as molas enfraquecidas pela chuva e eu gostava
do frio das tuas mãos."


a beleza do quotidiano, enaltecia pela memória e pela colocação exacta das palavras, uma colocação quase perfeita e humana. E eu gosto tanto e coisas humanas e que tocam de maneira certeira em corações por aí fora.


**

Voltarei.

Presença disse...

Todas as imagens bem retratadas... espelhadas... num pulsar de saudade e de vida no hoje!!!

Boa semana
bjo doce

eyes shut disse...

...*

aida monteiro disse...

menina tóxica,

as lembranças deixam-nos sempre assim...um bocadinho lamechas:)

abraço grande.

aida monteiro disse...

ana,
gostei da tua forma de entrar e bolas, bolas digo eu:) enquanto espero que voltes.

aida monteiro disse...

gostei da imagem que me surgiu ao ler como se estivesse a manipular marionetas;)

às vezes, usava um banco e ficava um bocadinho de joelhos, à espera de ver levantar a fervura do leite. depois soprava e era quentinho e bom.

abracinho.

aida monteiro disse...

e existe, inbluesy, existe:)

(...)

aida monteiro disse...

princesa, princesa gabriela

apetece-me deixar-te estrelinhas e uns quantos abracinhos pendurados nelas:)

aida monteiro disse...

ninguém,

(...)

encosto-me um pouco para trás na cadeira, a cabeça inclina-se ligeiramente para o lado esquerdo e sem ter palavrinhas do mesmo tamanho deixo um sorriso.

aida monteiro disse...

(gosto quando vens)
que escutemos sempre o segredo.

abraço bom sophia:)

aida monteiro disse...

e que tenhamos sempre muito a recordar e um coração quentinho.

:)

aida monteiro disse...

obrigada, graça.

(...)
um beijinho para ti
em cada uma das tuas palavrinhas.

aida monteiro disse...

beijinhos de menina
a apertar um pouquinho por causa do frio. sabes, bruno, as tuas visitas deixam sempre um quentinho muito, muito bom:)

aida monteiro disse...

abracinho, ana.

não faz mal. aqui é bom quando nos repetimos em sorrisos:)

aida monteiro disse...

un dress,

abraço grande.
:)

aida monteiro disse...

um abraço mateso no teu azul,

o tempo...é bom quando descemos um bocadinho com ele e trazemos pedacinhos de memórias.

aida monteiro disse...

gosto tanto quando leio e sinto que o que os outros dizem saiu do fundinho do coração... são muito belas as tuas palavras (...) guardo-as com carinho, ana.

abracinhos muitos
à tua espera:)

aida monteiro disse...

um abracinho, presença.

(...)

aida monteiro disse...

três beijinhos, eyes shut.

:)

Presença disse...

Deixo-te o meus votos de um

Bom Natal e de um Feliz Ano Novo

bjo doce

aida monteiro disse...

obrigada, presença.

cheguei um bocadinho tarde para desejar Bom Natal, mas aqui fica um abraço a desejar um bom ano:)