
tocas o sangue que escorre, dentro
do meu corpo. a pele sem têmpora, a pele
muito quente, e ainda os lugares onde
nos sabemos. existe uma rua estreita
quando as tuas mãos apagam a luz, quando
as afasto no escuro, e as defendo.
e há a dor que permite, a dor do ferro. é
quente, o muro dos teus lábios
quando se demora e o transforma.
por dentro há um outro líquido quando me olhas
as tuas mãos parecem um segredo quando me tocam.
Fotografia de Berenika.